O FUTURO REQUER O USO INTELIGENTE DA TI
O desafio atual para as áreas de logística e supply chain não é romper paradigmas com a busca e implantação de soluções de tecnologia da informação extremamente inovadoras, mas saber usar com inteligência o que já está disponível para poder provar aproveitar ao máximo os recursos e obter benefícios que agreguem real valor ao negócio.
Não há dúvida de que hoje existe uma grande e variada gama de sistemas e soluções de tecnologia da informação (TI) que permitem tornar as operações de logística e supply chain bem mais ágeis e eficientes. Mas a questão que persiste é até que ponto as empresas estão investindo nesse sentido e quantas sabem, de fato, extrair e aproveitar adequadamente todo os potencial oferecido por essas ferramentas. Na avaliação dos consultores especializados na área, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Mesmo em se tratando de soluções já consolidadas em boa parcela das companhias, principalmente nas de maior porte, como é o caso dos sistemas transacionais e de execução, como os de gestão empresarial (ERP), de gerenciamento de armazéns (WMS) e de transportes (TMS), entre outros, o que se observa é que geralmente utiliza-se apenas uma fração do que esses recursos possibilitam.
Segundo o consultor Arthur Hill, sócio-diretor da Movimenta Serviços Logísticos, isso ainda acontece por várias razões, a começar pela implentação, que não costuma ser feita de forma adequada. "Muitas empresas acabam subestimando a complexidade da implantação de uma tecnologia, queimam etapas e utilizam menos tempo do que deveriam os serviços de consultorias especializadas para auxiliá-las nesse processo. Com isso, os resultados obtidos ficam aquém do esperado e cria-se uma círculo vicioso e perigoso de achar que a TI não funciona e por isso não vale a pena investir em novas opções", explica.
Outro ponto a considerar, segundo o consultor, é que antes de automatizar é preciso analisar os processos. Se estes forem mal definidos, corre-se o risco de automatizar o que não está bom. "Tecnologia segue processos, os quais definem os requerimentos. Isso pode parecer óbvio, mas é impressionante como ainda há empresas que não elaboram adequadamente os projetos com base nesse aspecto", destaca.
Outra medida importante é treinar e preparar profissionais para lidar com as novas tecnologias implantadas. Lucas Hortas, destacaque ainda se dá pouca atenção a isso, o que leva as pessoas a não terem o correto entendimento do seu papel dentro da empresa e no processo como um todo. "Elas não percebem, por exemplo, que quando deixam de preencher um determinado campo no sistema ERP, ou digitam um dado errado, podem causar um impacto negativo mais para frente e levar o gestor, que se baseia naqueles dados, a toma uma decisão de negócio equivocada", desta Horta.
As empresas também erram quando os investimentos em TI não são suportados por um business plan bem elaborado e, dessa forma, não visualizam os ganhos que podem obter. "Na prática, o retorno do investimento não vem na medida do esperando, em boa parte por conta disso", ressalta Roque Cifu, Senior Principal na área de Consultoria em Supply Chain da Accenture e vice-presidente do Comitê de Logística da Amcham (Câmara de Comércio Americana). Assim, o gestor de logística acaba ficando sem argumentos suficientes para convencer o diretor financeiro e a alta direção a investir em novas soluções.
* Matéria completa na Edicão nº191 da Revista Tecnologística
FONTE: Revista Tecnologística - Edição Outubro 2011[Silvia Giurlani]